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11 dezembro, 2018
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Você ficaria sem usar as redes sociais por quantos dias? Será que estamos usando as tecnologias do jeito certo?

Alguma vez, você já se perguntou o porque na maioria das vezes só vemos pessoas felizes estampadas nas fotos das redes sociais? Já parou para observar a quantidade de motoristas que ficam ao celular ao tempo que dirigem? Constantes checagens na timeline? “Perder” um momento com os amigos ou familiares pois estava focado no smartphone? Plataformas digitais como: facebook, instagram, whatsApp e twitter são vitais? Ou pseudomecanismos fúteis especulativos e de inautenticidade existencial? Alimentar de forma descontrolada o próprio ego? Escancarar sua privacidade à uma realidade paralela? Indagações que nos levam a pensar.

Fazer um social na web nunca esteve tão em voga como na atualidade. Mas qual o limite de trocar informações e tirar onda nas redes? Uma sociabilidade se limites que limitam percepções da realidade? Exibicionismo cibernético, fruto do capitalismo tardio e por excessos de individualidade? Ou uma ferramenta para aproximar as pessoas e mobilizá-las para a efetivação de causas comuns.

A modernidade em seu processo de civilização técnica ocasionou uma interessante situação com nossas relações sociais: apesar de inúmeras tecnologias disponíveis não conseguimos estabelecer de forma profunda uma relação de (IN)comunicação com nossos interlocutores. Indubitavelmente, o aprimoramento da velocidade e suas trocas informacionais é algo significativo.

O professor universitário estadunidense, Clay Shirky acredita que o problema da (IN)comunicação humana não se encontram nos instrumentos técnicos, nas redes sociais, aplicativos, mas sim na falta de disposições éticas que permeiam as ações humanas em novos modelos de configurações culturais e de engajamento entre os indivíduos na era da virtualização de informações. “A revolução não acontece quando a sociedade adota novas ferramentas. Acontece quando a sociedade adota novos comportamentos.”

Amigo leitor, tem uma música chamada Nostalgia da banda baiana Vivendo o ócio, a qual diz, “a gente tem que dar um tempo, deixar tudo em seu tempo, não existe certo ou errado, existe o bom a se fazer e é o que você quiser; quando não me achar eu devo estar em casa; Realizando nostalgias.” Faz-se importante pensar aqui nossa subjetividade. O que estamos fazendo com nosso tempo em um mundo que exige nosso máximo?. Tempo de inconstâncias e efemeridades. Olhemos para as ações cotidianas: quando o computador demora para iniciar, quando as pessoas não se dedicam a contemplar as coisas simples da vida, interiorizar, refletir sobre seus nuances da existência, um alto-diálogo.

Como dizia o poeta Manoel de Barros, “Passava o dia ali, quieto, no meio das coisas miúdas e me encantei”. Raros são os que contemplam, que dialogam em suas varandas ou sacadas. A era da indústria do entretenimento definem os padrões de comportamentos e na tentativa de aproximar quem está longe, muitas vezes afastamos

os que estão perto. Será que não estamos acreditando na falsa sensação de felicidade estampada aos montes nas redes, e com isso, naufragamos? Perdemos a capacidade de ouvir o outro, à vida autocentrada, incapaz ou desinteressada em dialogar com qualquer inteligência externa reconhecendo a importância de seu discurso.

Apesar de todos as facilidades comunicacionais mediadas por instrumentos como o celular, que traz consigo suas praticidades na conectividade com as pessoas à longas distâncias, como foi pensado por Graham Bell, os apetrechos podem não possibilitar a promoção a alteridade pois a arte da escuta fica-se em segundo plano, a qual exige paciência e acolhimento.

Se olharmos a vertente educacional, nota-se o empobrecimento do vocabulário suprimindo a riqueza das palavras, visto que, a consciência alienada rechaça qualquer palavra tomada como difícil, depreciando-a em um mundo simbólico. Sob a ótica da saúde, nota-se problemas tais como sedentarismo, transtornos afetivos, lesões no polegar ocasionadas por movimentos repetitivos em digitar nos diminutos teclados dos celulares. A infinidade de possiblidades que os atuais meios de comunicação disponibilizam para os seus usuários acaba por fazê-los perder a noção quanto a real necessidade do ouso desses objetos, a tal ponto que não saber quem é o instrumento.

Em 2014, discutiam-se como o ano da consolidação da vida sem “saber de tudo o tempo todo”, definida na palavra JOMO (Joy of Missing Out, que significa algo como Alegria de Perder), diferente de FOMO (Joy of Missing Out, ou Medo de Perder). Filosofias que requerem serenidade para avaliá-las, em como cultivar o prazer em viver o aqui, o agora, sem a ansiedade de dividi-los na internet.

Mediante essas questões, fica evidente que o grande problema que envolve as relações humanas nessa era da virtualização não consiste nas próprias inovações, mas em seu uso inadequado e não desenvolvimento salutar senso de dúvida, suspeita ou de crítica com a difusão de conteúdos e nos comportamentos sociais da grande rede. Contudo, nessa seara aberta ao futuro das comunicações potencializado por constantes avanços somos impulsionados a discutir o assunto. E para que possamos efetivar mudanças de paradigmas, é imprescindível que, não obstante, a internet seja compreendida como recurso político capaz de retirar o ser humano de sua menoridade existencial. Para tanto, a capacidade crítica deve tornar-se um diferencial, de modo que, as novas tecnologias sejam efetivadas como verdadeiras extensões do homem, integrando no que chamamos de real a potência ubíqua do virtual.

Mauri Oliveira/ Acadêmico em Comunicação Social- Habilitação em Jornalismo pela UNIFG- Centro Universitário, coordenador da PASCOM da diocese de Caetité, assessor de imprensa do CDS- Alto Sertão e comunicador da Rádio Educadora de Caetité-Ba.

 

HR Bahia / Mauri Oliveira / Foto: Arquivo 

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