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Caetité, Bahia
18 novembro, 2018
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Análise sobre o dois de julho 2018 em Caetité

Olá, ilustre leitor(a)! Bom voltar a escrevê-los, dessa vez, para falar sobre uma das maiores festividades cívicas ao dois de Julho da Bahia, em Caetité, o qual acontece há mais de 185 anos. Vale ressaltar que em nosso estado, somente os municípios de Salvador, Cachoeira e nossa cidade comemoram tradicionalmente a Independência da Bahia.


Na noite do domingo (01), a tradicional levada da cabocla à pedra do conselho, foi emocionante. Destaco a participação da equitação especial da Escolinha Viver e Superar. Indubitavelmente épico, ver a inclusão sair do discurso e vê-la na prática, com o auxilio do “Projeto Arte e Eu”, com a música da banda Baiana System, “invisível”, a qual “dá um tapa na cara da sociedade” com uma letra poderosa, falando sobre a falta de visibilidade e a segregação social, não são questões difíceis de reconhecer. Mas, dentro da nossa sociedade, são fáceis de serem ignoradas. Os versos de Russo Passa Pusso, Roberto Barreto, Seko Bass, Filipe Cartaxo falam: “Você já passou por mim e nem olhou para mim. Acha que eu não chamo atenção. Engana o seu coração”. Quantas coisas dá para se tirar disso, não é mesmo? Reflitamos. Enfim, o acendimento da pira em todo seu conjunto, classifico como um dos melhores momentos desse ano.

Segunda-feira, dois de julho. Apesar de ser um ano atípico, por ser um ano de Copa do Mundo, e consequentemente o jogo de nossa seleção, não retirou o brilhantismo da efeméride data para Caetité. As Secretárias do nosso Município, em especial, de Educação, Cultura, Esporte, Lazer e Turismo, foram muito felizes ao escolherem a temática, “valores humanos para a vida e para paz”, apresentada por escolas da redes, municipal e estadual e por grupos de montaria, (sublinho, o Grupo de Montaria da Palmeira, o qual, com um carro alegórico muito bem arrojado, retratou muito bem o tema proposto).

O público de Caetité e região, prestigiou a “aula” de história, cidadania e cultura com olhares atentos e semblantes motivadores, a exemplo da Escola Dom Manoel Raimundo de Melo, do povoado de Santa Luzia, que trouxe ao percurso, um exemplo de honestidade, no carro alegórico que homenageava, Dona Chica (Projeto Flor) e Belzinha, evangelizadora da cidade.Saliento a apresentação dos colégios Zelinda Carvalho e Nunila Frota de Maniaçu, com sua equipe de percussão “Omoayê”, eletrizante. Evidencio, o Grupo Escolar Ovídio Teixeira, com a alegoria do consumo consciente da água. Quadro muito bem elaborado em seus mínimos detalhes. Ressalto que, todas as escolas deram show, promovendo a festa da coletividade, em que o sucesso advém visivelmente da união dos esforços. Em suma, o brilhantismo de todas as entidades que abrilhantaram o desfile cívico, bem como o grupo das comunidades quilombolas. Confesso que senti falta no desfile do grupo da associação de pais e autistas, Anjo Azul, e do CEEEC, (Centro Estadual de Educação Especial de Caetité).

As passagens de cada bloco foram anunciados pelo comunicador e mestre de cerimônia, Pedro Silva e comentados pelas historiadoras, professoras, Rosemária Joazeiro e Fernanda Oliveira. O evento contou ainda com a participação de autoridades políticas e foi encerrado com o “TE DEUM” (ação de graças a Deus), na Praça da Catedral, celebrado por Monsenhor Adhemar Cardoso.

“Caetité é uma cidade antiga onde o povo sentiu esse patriotismo desde cedo. Na Guerra do Paraguai já foram caetiteenses para a guerra. Na Guerra da Independência, também foram muitas pessoas daqui.
Ainda temos ali a Pedra do Conselho, que ali as mães iam se despedir dos seus filhos, para saber se voltariam um dia. Por isso esse cortejo vai até o cemitério na lembrança às mães que na Guerra do Paraguai e na Guerra da Independência iam lá se despedir de seus filhos.
A festa emocionava muito, vibrava em todo coração Caetiteense. Era uma beleza se ver aquelas velhas com o ramo de café e fumo. Tinha uma velha, a que criou Zé Brito, ela fabricava o ano inteiro os ramos de café e fumo para vender. E todo mundo colocava no peito. Nas escolas os rapazes com a fita verde. As meninas, as mocinhas com a farda branca. A descida, à noite, era uma coisa maravilhosa. Começava lá aonde mora Clarismundo hoje, discursos de lá até o cemitério. Fogueiras nas ruas… O povo vibrava mesmo, sentia dentro o fogo do patriotismo (…) Tinha desfiles com retratos, homenagens, representação teatral, todas as coisas normais. Como a cidade era pequena o povo só pensava naquilo. Hoje o povo tem muita coisa no que pensar; então, vai perdendo aquele brilho, aquele entusiasmo, aquelas cavalhadas… Tudo isso era naquele tempo. hoje em dia é tudo correria porque o povo não tem tempo pra perder.
Hoje as coisas mudaram. Ainda estão lutando aí para ver se salva alguma coisinha. A mudança do mundo é um fato. Daqui a 50 anos há de ter alguém que irá comentar aquilo que aconteceu e que está acontecendo hoje, assim como eu estou fazendo agora.”
(Monsenhor Osvaldo, 1996. Extraído do Livro “A Festa do 2 de Julho em Caetité – do cívico ao popular” do professor e membro fundador da Academia Caetiteense de Letras Bartolomeu de Jesus Mendes)

Mauri Oliveira/ Acadêmico em Comunicação Social- 
Habilitação em Jornalismo pela UNIFG- Centro Universitário, 
coordenador da PASCOM da diocese de Caetité, assessor de imprensa do CDS- 
Alto Sertão e comunicador da Rádio Educadora de Caetité-Ba.

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